O Brasil já provou que sabe criar carros com personalidade, fruto do talento de engenheiros e designers locais que, vez ou outra, surpreendem com ideias geniais. Mas nem todo projeto que nasce nas pranchetas vira realidade — alguns morrem ainda na fase de desenvolvimento, seja por escolhas estratégicas, questões políticas ou simplesmente porque o mercado mudou.
Esses “quase-carros” brasileiros carregam histórias curiosas, de picapes que poderiam ter sido ícones a subcompactos que miravam a concorrência. Vamos conhecer alguns veículos que perdeu antes mesmo de nascer que tinham argumentos pra dar certo, mas ficaram só na promessa.
1 Chevrolet Opala hacth e picape
O Chevrolet Opala quase ganhou versões que fariam qualquer fã do modelo sonhar acordado. Lá por 1975, a ideia era lançar uma picape, apelidada de “Opalete” ou “Opala El Camino” por causa da semelhança com o clássico americano, aproveitando a reestilização da linha no ano seguinte.
Um protótipo chegou a circular, mas o projeto parou por aí e ninguém sabe ao certo por quê. Pouco depois, em 1980, veio o plano de um hatch, também alinhado à outra atualização do Opala.
Os dois morreram antes do parto, e a Chevrolet acabou apostando em outros modelos, como o Monza Hatch e a Chevy 500, que pegaram carona em propostas parecidas. Dá pra imaginar o quanto essas versões teriam agitado o mercado, mas a GM preferiu jogar seguro e deixou os fãs na saudade.
2 Volkswagen Voyage 'bolinha'
Outro que ficou no quase foi o Volkswagen Voyage “bolinha”. Nos anos 90, enquanto o Gol ganhava sua nova geração, a Volks planejava um sedã renovado para acompanhar, com design fresquinho. Só que, em 1995, o Voyage saiu de linha, e o projeto do novo modelo foi pro espaço.
No lugar, veio o Polo Classic, fabricado na Argentina, em uma decisão que, segundo bastidores, teve mais a ver com briga de executivos do que com lógica de mercado. Uma disputa interna na multinacional teria colocado o Voyage na geladeira como retaliação entre os chefes. O sedã só voltou em 2008, mas o “bolinha” perdido ficou como um “e se” na história da marca, que já tinha um público fiel torcendo por ele.
3 Ford Del Rey II
A Ford também tem seus cancelados para contar. O Del Rey II, ou Omega II internamente, era a evolução do sedã que conquistou muita gente pelo acabamento caprichado nos anos 80. O plano incluía um motor 2.3 do Maverick, entre-eixos maior para mais espaço interno e uma carroceria redesenhada, testada até em túnel de vento com um coeficiente aerodinâmico de 0,35 — nada mal pra época.
Mas, em 1987, a Autolatina, parceria entre Ford e Volkswagen, mudou os rumos, e o Del Rey II virou o Versailles, um Santana com outra cara.
4 Ford 'Jampa'
Já o “Jampa”, um jipe pensado para suceder o Jeep Willys (descontinuado em 1983), usaria a base da Pampa 4x4. O nome, brincadeira da imprensa, nunca vingou, e o motivo do cancelamento é um mistério — talvez a tração 4x4 da picape não desse conta do recado off-road que a Ford queria.
5 Volkswagen BY
Por fim, o Volkswagen BY mostra como até ideias ousadas podem esbarrar na prática. No início dos anos 80, a Volks sonhava com um subcompacto menor e mais barato que o Gol, mirando o Fiat 147. Protótipos funcionais chegaram a rodar, com a frente do Gol e uma traseira exclusiva, mas o projeto parou em 1987.
O motor longitudinal, que exigia um capô longo demais, matava o espaço interno, algo fatal quando se fala em carro pequeno. O BY ficou guardado na gaveta, junto com outros planos da marca que nunca viram a luz, como um Gol ainda mais básico que nunca saiu do papel.
Esses cinco casos são prova de que o Brasil teve criatividade de sobra, mas, às vezes, o timing ou as decisões de cima falaram mais alto. Quem sabe o que teríamos nas ruas hoje se eles tivessem nascido?
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