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Radar de velocidade média falhou? Você pode estar sendo multado sem saber

Falhas na medição podem gerar multas injustas e dores de cabeça

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Radar de velocidade média ainda está em fase experimental no Brasil
Radar de velocidade média ainda está em fase experimental no Brasil Foto: Imagem/Divulgação

Já aconteceu de chegar uma multa de excesso de velocidade sendo que você estava no limite? Isso pode acontecer caso o radar de velocidade esteja mal calibrado. Pois é, com o radar de velocidade isso pode acontecer, e em rodovias brasileiras que já testam o radar de velocidade média, como na BR-050 em Uberaba (MG) também pode falhar na medição.

O radar de velocidade média é diferente dos pardais tradicionais. Em vez de flagrar sua velocidade em um ponto fixo, ele usa dois sensores para calcular quanto tempo você levou para percorrer um trecho, como no km 171 até a km 182 da BR-050, onde o limite é 80 km/h. Passa pelo primeiro radar, ele registra a hora e a placa; chega no segundo, faz as contas com base na distância e no tempo. Se a média ultrapassar o limite, multa na certa. 

Porém esses radares ainda estão em fases experimentais aqui no Brasil, e em 2025, segundo o g1, o Inmetro deve ainda regulamentar esses equipamentos em 2025, todavia ele já é usado em diversos outros países há algum tempo, como Itália e Reino Unido. 

Mas voltando sobre as falhas, primeiro, o básico: para funcionar direito, os dois radares precisam estar sincronizados no tempo e na distância. Se os relógios tiverem um delay, mesmo que de milissegundos, ou se a distância entre os pontos estiver mal calibrada, a velocidade média sai errada. 

Um estudo da SWOV Institute for Road Safety Research, da Holanda, mostrou que erros de sincronização de apenas 0,1 segundo em um trecho de 1 km podem inflar a medição em até 3,6 km/h. Pesquisas baseadas nisso apontam que, onde o radar de velocidade média foi bem usado, os acidentes caíram cerca de 19%. 

Parece pouco, mas em um limite de 80 km/h, com tolerância de 7 km/h (segundo o Contran), isso vai para 87 km/h, o que já pode gerar uma multa de R$ 130,16 por trafegar até 20% acima do permitido.

No Brasil, o Inmetro exige que os radares sejam verificados a cada 12 meses. Mas pode acontecer de o equipamento pifar antes disso, com uma chuva forte, por exemplo, ou até um curto-circuito, bagunçando os sensores. 

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Com o advento dos radares, excesso de velocidade passou a ocupar primeiro lugar no ranking das infrações Foto: Com o advento dos radares, excesso de velocidade passou a ocupar primeiro lugar no ranking das infrações

O UOL trouxe um caso na BR-101 Sul, perto de Natal (RN), onde motoristas denunciaram que um radar marcava velocidades erradas – um carro passou a 40 km/h, mas o radar registrou 133 km/h. Com o radar de velocidade média, que depende de dois aparelhos, o risco dobra: se um dos dois tiver problema, a conta toda desanda.

Quando o radar falha, o efeito é cascata. Primeiro, você leva a multa – no Brasil, ainda em fase experimenta. Aqui, o Código de Trânsito Brasileiro (CTB) no artigo 218 só pune velocidade acima do limite “medida por equipamento hábil”, mas não especifica a média. 

Enquanto o Contran não regula isso, as multas não estão valendo – mas, quando valerem, uma falha pode te custar de R$ 130,16 (até 20% acima) a R$ 880,41 (mais de 50%), além de pontos na CNH. E o pior: provar que o erro foi do radar é complicado — aqui explicamos fazer isso, porém não deixa de ser seu direito.

Para se defender, o caminho é o recurso. Você pode pedir a aferição do Inmetro pro equipamento – se não tiver sido feita ou tiver vencida, a multa cai. Também dá pra checar a foto e o horário da infração: se tiver incoerência (tipo você em dois lugares ao mesmo tempo), é prova de falha. 

Em Alagoinhas (BA), em 2022, um entregador levou 25 multas em um dia por erro de radar e conseguiu anular tudo com ajuda da OAB local. Mas isso exige tempo, paciência e, às vezes, advogado.

Dirigir na média certinha ajuda, mas não freie só para o radar: o sistema não perdoa o “jeitinho” para aqueles com efeito Doppler, que já estão em uso. E, se a multa chegar, confira tudo: data, hora, placa, velocidade. Se cheirar erro, recorra.