Reinventar um clássico não é nada fácil, imagina criar um carro para rivalizar com esses ditos clássicos? É justamente essa a missão do GWM Tank 300, que não esconde a inspiração no Mercedes-Benz Classe G, Jeep Wrangler, Suzuki Jimny, Ford Bronco, e outros ícones do mundo off-road.
O terceiro produto da GWM chega ao Brasil com uma plataforma única e preço agressivo para tentar conquistar um público fiel e exigente, mas será que o conjunto híbrido consegue convencer o segmento já acostumado com motorização diesel?
O visual não deixa dúvidas de que o Tank 300 foi desenhado pensando nos ícones de off-road citados anteriormente. A carroceria quadrada, para-lamas bem largos e pronunciados denunciam se tratar de um off-road criado com os “desbravadores” do segmento em mente. Há até quem argumente que o visual pode ser um pouco genérico, afinal, os faróis (full led) redondos são o “padrão” desses carros, mas nem sempre é necessário reinventar a roda.
A traseira é bem simples e o principal destaque é o estepe traseiro no padrão quinta-roda, algo essencial para quem planeja fazer trilhas pesadas. Não se engane, apesar de ser um híbrido plug-in, o Tank 300 tem plenas capacidades de fazer off-road.
O SUV híbrido mede 4,76 metros de comprimento, 1,93 m de largura, 1,90 m de altura e 2,75 m de entre-eixos. O porta-malas tem 836 litros, mas pode ser expandido para 1.520 caso os bancos traseiros sejam rebatidos. O peso é de 2.630 kg.
O ângulo de ataque é de 32 graus, enquanto o de saída é 33. O vão-livre do solo é de 222 mm, mas a profundidade máxima de travessia é de 700 mm. Durante a avaliação, ao atravessar uma área alagada, os sistemas do carro emitiram diversos sinais sonoros e a mensagem "parar o carro" apareceu na tela. Após a travessia, tudo voltou a funcionar perfeitamente.
Interna luxuosa
Alguns veículos próprios para o off-road como o Jimny ou o Land Rover Defender de primeira geração costumam ser criticados pela simplicidade do interior. No Tank 300, a pegada é completamente diferente e a marca investe em bastante conforto e luxo. É importante ressaltar que muitos compradores não terão um Tank somente por suas pretensões aventureiras, mas precisarão utilizar o carro em seus deslocamentos diários ou viagens.
Para esse tipo de uso, a novidade da GWM promete atender muito bem seus ocupantes. O acabamento interno conta com couro nappa nos bancos e também nas portas, o acabamento do painel e das portas é todo em material macio.
Vale destacar o console central do veículo, que ostenta a manopla “Tank Shifter”, um diferencial em relação ao modelo chinês, os seletores dos modos de tração e botões para seleção de variadas funções.
Os bancos dianteiros contam ainda com regulagem elétrica e sistema de aquecimento, mas o motorista tem direito a massagem e função “Easy Entry”, que posiciona o assento na posição mais distante possível para facilitar o acesso ou saída do condutor.
Na traseira, o Tank 300 conta com capacidade para três ocupantes, saída de ar-condicionado e duas opções de regulagem de encosto dos bancos.
O ruído externo que passa para a cabine é bem baixo, muito por conta do sistema eletrônico de cancelamento de ruído instalado sob o capô, para-brisa e janelas dianteiras com camada dupla de vidro com material fonoabsorvente e borrachas de vedação reforçadas.
Equipamentos
Além dos já citados, o GWM Tank 300 conta com painel de instrumentos de 12,3”, mesmas dimensões da multimídia. A dupla é posicionada de forma para parecer integrada e tem ótima resolução, graças à tecnologia retina. O painel é diferente do apresentado pelo Haval e conta com alto nível de personalização.
A multimídia conta com conectividade sem fio com Android Auto e Apple CarPlay e permite comandos de voz em português, wi-fi, conexão 4G e aplicativo my GWM, que também funciona nos smartphones. Durante o rápido contato, a central se mostrou bem ágil. Há ainda portas USB-A e USB-C, carregador de celular sem fio, sistema de som com nove alto falantes, aquecimento no volante e até climatização para o porta-objetos.
Alto nível de segurança
Em termos de segurança, o Tank 300 oferece seis airbags, controle de cruzeiro adaptativo com função stop and go, assistente de permanência em faixa, reconhecimento de sinais de trânsito, frenagem autônoma de emergência e assistente de estacionamento.
O Tank 300 ainda oferece destravamento das portas em caso de colisão, assistente de ponto cego e liga para central de atendimento GWM e autoridades em caso de acidentes.
Evolução da plataforma do Haval
O nome oficial do Tank 300 é GWM Tank 300 Hi-4T PHEV. A sigla PHEV você já deve conhecer, mas falaremos sobre ela mais tarde. A grande novidade é a plataforma Hi-4T, uma evolução da Hi-4 utilizada pelo Haval, que usa uma configuração monobloco.
O grande diferencial dessa nova plataforma é a possibilidade da instalação de uma transmissão dedicada e um eixo cardã para a transmissão de força mecânica para as rodas traseiras.
Com três diferenciais e um motor elétrico integrado à transmissão de nove marchas, o Tank 300 apresenta a bateria de alta tensão acima do eixo traseiro. Para algumas pessoas isso pode soar como um perigo em caso de colisão, mas a marca afirma que a bateria está segura pelas longarinas e aços da plataforma. Em relação a impactos contra obstáculos, o eixo traseiro acaba servindo como proteção para o pacote de baterias.
De acordo com a marca, um dos principais diferenciais desse sistema é justamente o cardã, que permite tração nas quatro rodas de forma mecânica. Caso o proprietário fique sem carga na bateria de alta tensão, ainda haverá o propulsor a gasolina para tracionar as quatro rodas.
Em muitos carros eletrificados com tração nas quatro rodas, o eixo traseiro utiliza apenas um motor elétrico para tracionar as rodas traseiras, o que seria uma desvantagem nessa situação.
Motorização
Como já mencionado, o GWM Tank 300 conta com motor 2.0 turbo a gasolina e um motor elétrico integrado à transmissão de novas velocidades. A fabricante chinesa não divulgou a potência de cada motor, apenas o conjunto completo, que entrega 394 cv e 750 NM (76,4 kgfm) de torque.
Esse conjunto faz o SUV de 2.600 kg alcançar os 100 km/h em apenas 6,8 segundos. Segundo a GWM, a motorização pode funcionar priorizando a condução elétrica, de modo híbrido ou “inteligente”, quando o sistema faz a gestão automática.
Por ser um híbrido plug-in, o modelo pode rodar 75 km em modo 100% elétrico. O consumo oficial é de 18,4 km/l na cidade e 18,7 km/l na estrada. Apesar disso, a bateria conta com 37,1 kWh de capacidade, sendo superior à do Haval.
O modelo conta ainda com tecnologia V2L, que permite conectar eletrodomésticos ao carro e utilizar a energia armazenada na bateria. Essa função pode ser importante para quem faz grandes expedições off-road.
Como anda o GWM Tank 300?
Apesar do peso enorme, o torque instantâneo do motor elétrico ajuda o Tank 300 a ter um bom desempenho. Usando apenas os ajustes padrão do veículo, foi possível notar um leve atraso do acelerador ao tentar realizar uma aceleração mais bruta.
Porém, durante boa parte da condução, se não te contarem que o modelo pesa 2,6 toneladas e usa chassi de longarinas, é bem provável que você pense que se trata de um veículo construído a partir de uma estrutura monobloco convencional.
Apesar do peso, altura e dos pneus de uso misto, ao entrar em curvas de alta velocidade do autódromo Raceville não passavam impressão de que o carro iria tombar. Claro, há muita mudança de peso e inclinação, mas o Tank 300 é bem acertado.
A direção é bem ajustada, e pode ficar mais rígida de acordo com a configuração eletrônica escolhida pelo motorista. Porém, não espere uma condução de esportivo.
Segundo executivos da GWM, o Tank 300 recebeu diversas melhorias para ser adaptado ao mercado brasileiro, como por exemplo no sistema de freios - muito mais responsivos que os chineses - e na suspensão, mais rígida, em vez de uma configuração “mole”, como é na China.
O acerto parece ser excelente para ambientes pavimentados mas também no off-road, claro, não testamos o Tank 300 em cidade, logo, fica faltando essa percepção mais próxima da realidade.
Teste off-road
Fora de estrada é onde o Tank 300 quer surpreender muitos clientes, geralmente aqueles que estão começando nessa vida aventureira. Com nove modos de condução, opção de bloqueio dos três diferenciais e tração 4x4 reduzida, o Tank 300 conta com diversas funções para auxiliar o condutor fora de estrada.
Durante o trajeto preparado para a imprensa, somente em alguns momentos foi necessário usar a tração reduzida, e quando foi necessária, foi possível perceber o benefício da transmissão mecânica de força para as rodas traseiras. O Tank 300 não teve nenhuma dificuldade para ultrapassar os obstáculos.
Graças às câmeras 360º, o Tank 300 consegue fornecer para o motorista uma visão em terceira pessoa do veículo. Com a opção chassi invisível ativa, é possível observar obstáculos diretamente à frente ou abaixo do veículo, o que pode ser bem-vindo em terrenos acidentados.
O modelo conta com assistente de descida e também de partida em rampa. Nesse segundo caso, o motor elétrico e seu torque imediato ajudam a sair de situações que em um carro a diesel demoraria mais tempo, bem como poderia descer a rampa.
O Tank 300 inova ao oferecer o Assistente de cruzeiro inteligente off-road (CCO) que permite mesmo fora de estrada que o carro se dirija de forma semiautônoma. No teste, passamos por uma caixa de ovos utilizando a função, que não deixou o veículo passar dos 5 km/h. Caso o motorista esteja em uma situação onde é possível ir mais rápido, basta selecionar a velocidade em uma alavanca auxiliar do lado esquerdo do volante.
Há ainda a exclusiva função “Tank Turn”, que bloqueia a roda traseira contrária à direção em que o volante está apontando e reduz o ângulo de esterçamento do veículo. Essa função foi desenvolvida para o off-road, mas segundo a GWM pode ser utilizada em outras situações no dia a dia.
Apesar de já mencionado acima, vale a pena o reforço. Mesmo passando por caixa de ovos e trajetos enlameados, o Tank 300 não se comporta como o esperado para um veículo de chassi de longarinas. Claro que ainda irá chacoalhar bastante, mas o comportamento é bem diferente de um Toyota SW4.
Veredicto
O GWM Tank 300 PHEV é um produto que promete agitar o mercado, mesmo sendo um veículo nichado. Por R$ 333 mil (até 30 de abril) ele é bem mais acessível que o Toyota SW4, Mitsubishi Pajero Sport. Apesar de não oferecer a opção de sete lugares, poder rodar alguns km sem consumir gasolina pode ser uma boa alternativa para conquistar o público aventureiro, ainda muito leal ao diesel.
Com bom desempenho no asfalto e no off-road, o Tank 300 aposta em baixo consumo de combustível e luxo para conquistar quem vai usar o carro em ambientes urbanos. Com central multimídia moderna, por exemplo, e interior bem luxuoso, deve ser mais atrativo para esse uso do que o os rivais citados acima.
Um dos principais desafios da GWM será “roubar” clientes dos modelos diesel citados acima. Resta saber se com o preço cheio, que ainda não foi definido, o Tank 300 se manterá tão competitivo quanto os demais. A marca é ousada e ainda sonha em brigar com Jeep Commander e até mesmo alguns modelos da Land Rover, mas só o tempo e o desempenho de mercado mostrarão o real potencial do Tank 300.
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