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COMO QUE FICA?

Carros zero podem ficar mais caros no Brasil com as tarifas de Trump?

Medida do presidente dos EUA pode afetar modelos importados

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Ram 1500
Ram 1500 Foto: Divulgação/Ram

Na próxima quarta-feira (2), as tarifas para carros e peças importados para os Estados Unidos serão colocados em prática, como anunciou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na última quarta-feira (26). A tarifa que será de 25% pode também impactar o Brasil, já que alguns carros são importados do país norte-americano. 

Trump anunciou a tarifa para incentivar a produção de carros dentro dos Estados Unidos, trazendo mais empregos para a indústria americana. O mandatário quer que as montadoras levem suas fábricas aos EUA, e a tarifa é uma forma de pressionar isso, já que aumenta o custo de importar carros de outros países, como México, Canadá e até da Europa. 

A Casa Branca estima que a medida pode gerar uma receita de US$ 100 bilhões por ano (cerca de R$ 568 bilhões). Além disso, Trump já disse que não se importa se os preços dos carros subirem nos EUA, porque, na visão dele, isso vai fazer os americanos comprarem mais veículos produzidos localmente, como ele declarou em entrevista à NBC News.

“Eu não poderia me importar menos se eles aumentassem os preços, porque as pessoas começariam a comprar carros americanos.”

Mas a medida não está agradando todo mundo. Países como Canadá e México, que exportam muitos carros para os EUA, criticaram a decisão, e montadoras como Ford, General Motors e Toyota viram suas ações caírem nas bolsas. 

No Brasil, a tarifa não afeta diretamente as exportações de carros prontos, já que não mandamos veículos para os EUA, mas pode ter um impacto indireto no nosso mercado, principalmente nos modelos que importamos de lá.

O Brasil recebe vários carros dos Estados Unidos, especialmente modelos de luxo e picapes grandes. Os principais modelos são a  RAM 1500, RAM 2500, RAM 3500, Ford Mustang, Ford Mustang Mach-E, Ford F-150, Jeep Grand Cherokee, Jeep Gladiator, Jeep Wrangler e BMW X6. 

Porém existe um detalhe importante: como todos esses modelos são fabricados nos EUA, eles não pagam a tarifa de 25% para serem vendidos lá. Mas mesmo sendo produzidos nos EUA, eles usam muitas peças importadas de outros países, como México e Canadá. 

Ford Mustang Mach-E 2024
Ford Mustang Mach-E 2024 Foto: Divulgação/Ford

A tarifa de Trump também se aplica a “algumas partes automotivas”, segundo a Casa Branca. Isso significa que o custo de produção desses carros pode aumentar, porque as montadoras vão pagar mais caro pelas peças que vêm de fora dos EUA. Se esse custo extra for repassado, o preço final desses carros pode subir, inclusive no Brasil, onde eles são importados diretamente dos EUA.

Além disso, o Brasil pode receber mais carros de outros países, como México e China, que estão sendo barrados nos EUA por causa da tarifa. Isso pode aumentar a oferta de modelos, mas não evita o aumento de preço dos carros que vêm dos EUA.

Em 2024, cerca de 6 mil unidades desses modelos foram vendidas no Brasil, segundo dados da Fenabrave citados pelo Autoesporte. Mesmo sendo um volume pequeno comparado ao mercado total de carros novos, qualquer aumento de preço pode pesar no bolso de quem está de olho nesses veículos.

Os preços de carros novos por lá podem subir entre US$ 3 mil e US$ 10 mil (cerca de R$ 17 mil a R$ 57 mil), dependendo do modelo, segundo o analista Dan Ives, da WedBush. Analistas automotivos da Cox Automotive também esperam que o custo médio dos veículos novos vendidos nos EUA aumentará em até 20%

Se as montadoras repassarem o aumento de 25% que estão enfrentando nos EUA, os preços no Brasil podem subir na mesma proporção, já que o custo de importação aumenta. Algumas podem absorver parte do aumento para não perder vendas, enquanto outras podem repassar tudo ao consumidor.

Jeep Grand Cherokee
Jeep Grand Cherokee Foto: Divulgação/Jeep

Além disso, o mercado de autopeças brasileiro também pode ser afetado. O Brasil exportou em 2023 US$ 308 milhões, segundo o G1 e, se Trump estender a tarifa para as autopeças (o que ele adiou para até 3 de maio), isso pode prejudicar as empresas brasileiras que fornecem componentes.

Outro ponto é a guerra comercial. Se o Brasil decidir retaliar os EUA com tarifas próprias, isso pode complicar as exportações brasileiras de outros produtos, como café e carne, que são mais importantes para nosso comércio com os americanos do que os carros. Por isso, o governo brasileiro está sendo cauteloso e prefere negociar.

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