O Brasil vem entrando de cabeça na onda da eletrificação automotiva, e isso está mudando o jeito que nós escolhemos carro. Às vezes, me deparo com amigos e leitores perguntando: “Quero um SUV híbrido, mas não pode ser plug-in, nem híbrido leve, que não resolve minha vida. Tem que ser híbrido pleno!”.
Para quem não sabe, híbrido pleno (HEV) é aquele que não precisa de tomada – a bateria recarrega sozinha com o motor a combustão e a energia das frenagens. Isso garante um consumo bem mais baixo, porque o motor elétrico e o a combustão trabalham juntos o tempo todo, economizando combustível.
Já o plug-in, apesar de não precisar de recarga, fica pesado quando a bateria acaba, e o motor a combustão sofre para carregar o peso extra, gastando mais. Híbrido leve? Nem se compara, é só um empurrãozinho para o motor principal. Então, para quem quer eficiência de verdade em um SUV e não quer usar tomada, o híbrido pleno é o caminho. Mas quais opções temos no Brasil?
Hoje, olhando pro mercado de SUVs híbridos plenos, a gente encontra o Toyota Corolla Cross, que é ótimo, mas é um SUV médio, maior e mais caro. Tem também o Haval H6 HEV, da GWM, outro híbrido pleno, só que ele é grandalhão e tem preço salgado. O SUV compacto mesmo, que caiba no bolso e no trânsito do dia a dia, não existe até o momento da publicação desta matéria, no início de abril de 2025.
Mas tudo isso está prestes a mudar com o Toyota Yaris Cross, que chega no terceiro trimestre deste ano para ser o primeiro SUV compacto híbrido pleno do Brasil. Adiado de 2024 por causa de problemas na Daihatsu, ele promete fazer barulho no segmento.
Afinal, como será o Toyota Yaris Cross?
O Toyota Yaris Cross é o grande lançamento da marca japonesa para 2025 no Brasil. Previsto para chegar entre julho e setembro, esse SUV compacto vai ser produzido em Sorocaba (SP), na mesma fábrica do Corolla Cross. Para abrir espaço na linha de montagem, os atuais Yaris hatch e sedã estão sendo descontinuados aos poucos.
Ele vem para competir com pesos-pesados como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e o futuro Honda WR-V, em um segmento que representa quase 50% das vendas de carros no país, segundo a Fenabrave. O diferencial? Será o primeiro SUV compacto com sistema híbrido pleno por aqui, algo que Fiat Pulse e Fastback, com seus híbridos leves, não alcançam.
Diferente do Yaris que conhecemos, o Yaris Cross é um projeto novo, baseado na plataforma DNGA – uma versão mais simples da TNGA, usada no Corolla e Corolla Cross. Ele terá duas opções de motorização. A versão a combustão vem com um motor 1.5 flex, aspirado, de 16 válvulas e quatro cilindros, entregando entre 110 e 118 cv e cerca de 15 kgfm de torque, sempre com câmbio CVT simulando sete marchas.
Já a versão híbrida usa esse mesmo 1.5 flex, ajustado para trabalhar com um motor elétrico e uma bateria – ainda sem tamanho divulgado, mas deve ter algo em torno de 1 kWh. Juntos, devem gerar entre 115 e 120 cv e algo como 16 a 17 kgfm de torque. A bateria entra em ação em baixas velocidades, até uns 40 km/h, permitindo trechos em baixa velocidade só no modo elétrico, porém que já ajuda bastante no consumo, chegando perto de 18 km/l ou até 30 km/l, como já foi visto em outros mercados.
No tamanho, o Yaris Cross tem 4,31 metros de comprimento, 1,77 m de largura, 1,61 m de altura e 2,62 m de entre-eixos – um pouco menor que o Corolla Cross, mas com espaço interno próximo de rivais como o Jeep Compass. O porta-malas fica entre 460 e 470 litros, dependendo da versão, superando os 440 litros do Corolla Cross e ficando entre os maiores da categoria, que geralmente tem uns 400 litros.
A suspensão usa McPherson na frente e eixo de torção atrás, com freios a disco nas quatro rodas.
Por dentro, o Yaris Cross traz um pacote caprichado, especialmente na versão híbrida topo de linha. A central multimídia de 10,1 polegadas vem com Android Auto e Apple CarPlay sem fio, acompanhada de um painel digital de 7 polegadas. Tem ainda ar-condicionado digital, chave presencial com partida por botão, freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold, bancos em couro, faróis automáticos, sensor de chuva e piloto automático adaptativo.
O atraso no lançamento veio por causa de um escândalo de testes de segurança na Daihatsu, que atrasou o projeto na Tailândia. Mas agora, com produção nacional, o Yaris Cross já foi flagrado rodando camuflado no Brasil. Os preços devem ficar entre R$ 135 mil e R$ 180 mil, competitivos para um SUV compacto híbrido.
Além do Yaris Cross, outros SUVs compactos híbridos plenos estão no horizonte, mas ainda vão demorar um pouco. O Honda WR-V, por exemplo, já tem lançamento confirmado para o segundo semestre de 2025, porém a eletrificação do modelo só deve ocorrer em 2028, como adiantou Roberto Akiyama, vice-presidente comercial da Honda, à rádio CBN.
Ele vai chegar ainda neste ano, como previsto, mas somente a combustão, com o motor 1.5 flex aspirado de 126 cv. A ideia é tropicalizar o sistema e:HEV da marca, mas por enquanto é só promessa e um prazo bem distante para quem quer eficiência agora.
A Volkswagen também está mexendo os pauzinhos para eletrificar seus SUVs compactos. Segundo a Autoesporte, o novo T-Cross será o primeiro híbrido nacional da marca, mas isso também está distante, somente na segunda geração, prevista para 2027.
O Nivus deve seguir o mesmo caminho na mesma época. Os dois vão usar a plataforma MQB Hybrid e o motor 1.5 TSI Evo 2, com opções que vão desde híbrido leve (48V) até híbrido pleno e, quem sabe, plug-in.
Tem também o Lecar 459 Hybrid, um projeto 100% brasileiro que está gerando curiosidade. Ele usa um sistema range extender (REX), com um motor 1.0 turbo flex da Horse em parceria com a Renault como gerador para um elétrico de 163 cv e 23,6 kgfm de torque, prometendo até 1.000 km de autonomia.
Não dá pra cravar se ele é um SUV compacto de verdade – o design lembra mais o Fiat Fastback, e o preço inicial de R$ 147.900 o coloca num patamar meio indefinido. É uma aposta ousada, mas ainda está em fase de protótipo e sem data fixa para chegar às ruas.
Enquanto isso, o Yaris Cross é o mais próximo e concreto. Já roda em mercados como Chile e Ásia, então a gente tem uma base sólida do que esperar: tamanho compacto, híbrido pleno com motor 1.5 flex e consumo afiado.
Os outros são possibilidades interessantes, mas por enquanto é mais especulação do que certeza – quem quer um SUV compacto híbrido agora vai ter que esperar o Toyota dar o pontapé inicial.
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